domingo, 28 de fevereiro de 2010
Malandragem
Vou fazer diferente desta vez. Trarei as músicas ao longo do texto e não só no final.
Sempre pensei no que a palavra malandragem poderia significar; esperteza, malemolência, jogo de cintura, desonestidade. Através das músicas, fui construindo algumas respostas para essa pergunta. Com tantas diferentes definições de malandro, começo a acreditar que há vários malandros, dependendo da situação.
Fala-se muito sobre o tipo clássico, o que transgride a honestidade. Aquele malandro do Chico Buarque, que ‘anda de viés’, ‘bebe um gole de cachaça, acha graça e dá no pé’, deixando a conta para alguém pagar, claro.
Jorge Ben Jor tem uma frase com a qual eu simpatizo: ‘se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem’. A frase é uma espiral, pois é engraçado pensar em como o malandro poderia ser honesto só pelo prazer de transgredir.
É verdade, há o malandro que transgride. Se a regra é pagar, ele sai sem pagar. Se é assumir compromisso, ‘ele não se amarra em uma só mulher’.Se é trabalhar, ele quer receber a grana ‘sem suar’. Se é esperar, ele 'fura fila'. Ai de quem o vir por aí ‘chacoalhando num trem da central’?! As vezes, ele 'até trabalha, tem mulher e filhos' mas ninguém pode saber. O importante é preservar a imagem... imagina se o confundirem com um otário! Esse malandro deve sempre levar vantagem perante os outros, não pode estar por baixo, diminuído. Uma mentirinha é sempre necessária.
Às vezes o malandro mente, escamoteia e transgride por achar que as
leis a que se submete não lhe trariam fama, admiração e credibilidade. ‘Vou apelar apara a malandragem para proteger a minha imagem’, afinal de contas o malandro é tido em boa conta com as mulheres e os amigos. ‘Malandro é aquele que sabe das coisas’. É preciso convencer as pessoas disso. Marketing pessoal é tudo;o bom malandro sabe disso.
Mas há também outra espécie de malandro, ‘o que sabe o que quer', parecendo andar lado a lado com seu desejo.
Há ainda o malandro consciente, o que ajuda, ‘dá segurança total’ já conquistou respeito e ‘não fala mentiras’.
Cazuza fala do desejo de se ter um pouco de malandragem, pois na pureza não se conheceria a verdade. E o malandro, conhece a verdade?
Essa música ensina então que é preciso malandragem para lidar com os sobresaltos da vida, para dar uma rasteira nas dificuldades. Entendo que ‘conhecer a verdade’ seria então uma forma de ir se equilibrando na corda bamba do que nos faz sofrer.
O malandro pode ou não burlar valores éticos e a lei para isso, ou pode usar de simpatia e jinga, sem perder a ética. A malemolência nesse caso é maior ainda. Teríamos um malandro honesto (não vejo contradição), e com um rebolado ímpar para sair de situações de sufoco. Em muitos casos, inclusive, a jinga do malandro pode estar na própria honestidade. Falar a verdade pode ser o blefe final.
Tentem lembrar do personagem de Javier Bardem no filme de Woody Allen, ‘Vichy Cristina, Bracelona’. Malandramente sedutor e honesto. Até onde poderia ser.
Moreira e Bezerra, ambos da Silva, concordam que o oposto de malandro é o otário, o mané. Enquanto o malandro resolve seus problemas na base do jeitinho, o otário encontra a forma mais difícil para resolvê-lo, e muitas vezes não resolve nada.
A partir de tantas referências musicais, concluo que o malandro é uma figura mítica materializada com mais ou menos frequência na vida de cada um.
Leia-se homens e mulheres. Portanto... ninguém nasce malandro. Lapida-se a malandragem.
(PS: Conferir no texto as referências em itálico às frases em negrito abaixo)
Caramba... Galileu da galiléia
Jorge Ben Jor
'Se malandro soubesse como é bom ser honesto
Seria honesto só por malandragem’
Malandragem
Cazuza/Frejat
‘Eu só peço a Deus um pouco de malandragem
Pois sou criança e não conheço a verdade’
Malandro é Malandro e Mané é Mané
Bezerra da Silva / Neguinho da Beijaflor
‘E malandro é malandro
Mané é mané
Malandro é o cara
Que sabe das coisas
Malandro é aquele
Que sabe o que querMalandro é o cara
Que tá com dinheiro
E não se compara
Com um Zé Mané
Malandro de fato
É um cara maneiro
Que não se amarra
Em uma só mulher...’
Malandro Consciente
Bezerra da Silva
‘É que você é o malandro consciente
Você ajuda a nossa comunidadeVocê dá leite para as crianças
Remédio para quem está doente
E comida para os mais carentes
Ainda dá uma segurança totalAquilo que a favela nunca teve
Que é assistência social’
Malandro Rife
Bezerra da Silva
‘Malandro é malandro mesmo
Em qualquer bocada que ele chega
Ele é muito bem chegado
E quando tá caído não reclama
Sofre calado e não chora
Não bota culpa em ninguém
E nem joga conversa fora’
Malandro Não Vacila
Bezerra da Silva
‘Já falei pra você, que malandro não vacila
Já falei pra você, que malandro não vacila
Malandro não cai, nem escorrega
Malandro não dorme nem cochila
Malandro não carrega embrulho
E tambem não entra em fila’
Malandro Quando Morre
Chico Buarque
‘Malandro quando morre
Vira samba’
O Malandro
Chico Buarque
‘O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé’
Homenagem Ao Malandro
Chico Buarque
‘Mas o malandro para valer, ( não espalha)
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central’
A Volta do Malandro
Chico Buarque
‘Eis o malandro na praça outra vez
Caminhando na ponta dos pés
Como quem pisa nos corações
O malandro anda assim de viésDeixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão’
Malandro Em SinucaMoreira da Silva
‘Estou cansado desta vida de otário, afinal o meu salário já não chega para mim
Fui à sinuca pra de alguém tomar a granolina, sem suar, nessa vida só assim
Um certo tipo alinhado e mui granfino, tinha até cara de menino uma partida apreciava
Aproximei-me resoluto e com coragem, e na minha malandragem perguntei se ele jogava...’
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Dancing with myself
Gosto de dançar, desde que me entendo por gente. Quando tinha 5 anos, colecionava os discos de vinil da Rita Lee. Lembro dessa cena como se fosse hoje. Eu era fã dela. Colocava o vinil (lembro de um em que ela e Roberto de Carvalho saíam do mar e de outro,com a capa meio rosa e preta) e ficava na sala dançando sozinha. Sem muita coordenação motora, e ainda por fora dos passinhos da moda, pulava, me sacudia e sorria, ao som de “baila comigo, como se baila na tribo”.
Mas não era só Rita Lee que freqüentava minha discoteca particular. Mais tarde ouvia Elis Regina do meu pai e achava interessante, embora ainda não soubesse dançar samba.
Pré-adolescência e época de lambada. Lá ia eu novamente com o disco para a vitrola e ensaiava passinhos a lá Beto Barbosa ou Kaoma.
O engraçado é que me lembro muito bem desses momentos. Na adolescência os passos foram ficando mais rebuscados. Colocava minha fitas-cassete e criava coreografias de jazz para músicas de Luscious Jackson, The Cure e Bjork, influenciada por minhas aulas de dança.
Comecei com o jazz. Numa turma de meninas bem mais experientes, me senti um pouco desajeitada, mas com o tempo consegui me adequar. Mas ainda não me dava nenhum arrepio.
Sob efeito dos vários musicais que assistia por semana, aos 10 anos (já tarde) tomei coragem e decidi entrar para o ballet, no qual permaneci por mais de 10 anos, entre idas e vindas causadas pela revolta com a rigidez e pressão intrínseca à essa dança. Me rebelava com a professora e saía, mas não durava mais de um mês. Odeio cobrança excessiva, e ballet é sinônimo disso. Por outro lado é também sinônimo de disciplina, perseverança, boa música, e da dupla preciosa: delicadeza e força. Me ensinou bastante.
Idade adulta, corpo mudado, revolta amansada. Resolvi tentar algo mais agressivo e ao mesmo tempo mais decidido; a dança contemporânea. Novamente fui (por falta de horário) para uma turma de dançarinas mais experientes que eu. Coreógrafa conhecida no meio.
E eu? Cada aula era uma vitória. A coreografia mais fácil da aula parecia introdução de peça da Débora Colker. Em algumas aulas conseguia me divertir. Nas outras, estava mais preocupada em acertar a coreografia. Só sei que no fim deu certo. Nos apresentamos com a academia, e consegui acertar a coreografia (!). O vídeo não me deixa mentir, mas não sei mais o que fiz com ele. Pena.
Quase esqueci, fiz algumas aulas de dança moderna também, bem diferente da contemporânea. Mas não me identifiquei muito.
Há 2 anos decidi escutar uma curiosidade que sempre tive; fazer dança de salão. Por motivos óbvios, escolhi a dança de acordo com o ritmo que mais gosto de dançar, o samba. Não, não escuto discos de bolero em casa, por isso optei por estudar só gafieira.
Quando alguém me pergunta sobre a dança de salão, por mais que eu explique, sempre acho que fica faltando algo. Me surpreendi muito com o que o samba de gafieira me ensinou. Tentarei listar aqui algo do que chamei de estatuto implícito da gafieira.
Antes, algumas letras pra quem gosta de dançar sozinho, como eu:
"Dancing with myself
If I had the chance
I'd ask the world to dance”
Billy Idol
“Sambando na lama de sapato branco, glorioso
Um grande artista tem que dar o tom
Quase rodando, caindo de boca
A voz é rouca mas o mote é bom
Sambando na lama e causando frisson”
Chico Buarque
"Danço porque danço e não descanso até o sol raiar
Dançando certo
Dançando louco
Dançando contra a corrente
Dançando leve
Dançando brusco
Dançando assim simplesmente
Dançando lento
Dançando justo
Dançando rapidamente
Dançando solo(...)"
Adriana Calcanhoto
“Olha que o galo cantou
O sol vai raiar
E você não parou de sambar”
Jorge Ben Jor
“Que menina é aquela que entrou na roda agora?
Ela tem um remelexo
Que valha-me Deus,Nossa senhora”
Caetano Veloso
O estatuto implícito da gafiera- 11 lições
1. (Verdadeiros) dançarinos de dança de salão freqüentam o baile com um objetivo primordial: experienciar uma boa dança.
2. Tratam-se por dama e cavalheiro. O cavalheirismo é mister neste contexto. O cavalheiro deve convidar a dama para dançar estendendo-lhe a mão. Esta deve aceitar a dança segurando-a e dirigindo-se até o local escolhido no salão.
3. Aceita-se a dança não pela beleza ou porte atlético do cavalheiro, e sim por educação ou por sua habilidade na dança. Na minha opinião, a dama pode recusar a dança desde que seja simpática e não constranja o cavalheiro.
4. A dama deve ser conduzida. Deve se deixar conduzir. Aceitar a mão firme em sua cintura, em sua mão. Não acelerar. Não retardar o passo. O cavalheiro pensa no passo a ser feito e em como conduzi-la para isso. Se entender o que o corpo dele quis dizer, ela o segue. Se a dança é bonita de se ver, fluida, há entrega da dama e firmeza do cavalheiro.
5. Nenhuma palavra é trocada. “Gire para lá”, ou “agora eu vou te jogar”. Isso é proibido e desnecessário. A condução é no corpo. Entendimento de pernas, passos, mãos, respiração, pele...
Conferir o texto na íntegra no site
Músicas pra quem gosta de dançar junto, como eu:
“Baila Comigo!
Como se baila na tribo
Baila Comigo!
Lá no meu esconderijo”
Rita Lee
“When we dance, angels will run and hide their wings”
Sting
“I'd rather dance with you than talk with you
So why don't we just move into the other room
There's space for us to shake, and hey, I like this tune
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you”
The Kings of Convenience
“E vem lá,
Vem lá
Você pra me tirar
Pra dançar
Pra dançar
Madrugada lunar”
Letuce
“We're going down,
And you can see it too.
We're going down,
And you know that we're doomed.
My dear,
We're slow dancing in a burning room”
John Mayer
Alguém tem mais contribuições de músicas?
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Ceticismo Caetaneano
Ceticismo Caetaneano
Ano passado Caetano lançou seu último disco Zii e Zie com guitarras distorcidas e arranjos modernos. Nada disso me surpreendeu. Caetano consegue soar inovador e vanguarda tanto em Transa, de 1972 (que eu considero um de seus melhores discos) quanto neste, lançado 30 anos depois.
O que me surpreendeu de fato foi uma de suas letras, ‘Diferentemente’ em que ele afirma não acreditar em Deus.
A questão aqui não é filosófica ou teológica. A liberdade de acreditar em quem quisermos vale para todos.
Só proponho um retorno histórico ao próprio, que já se referiu a Deus com mais apreço em suas letras, ou ao menos fez questão de citá-lo.
Ceticismo pós ano 2000?
#Notem que em 1975 há referências em 2 músicas.
Maria Bethânia
Álbum: Caetano Veloso- 1971
Maria Bethânia, please send me a letter
Please send me a letter I wish to know things are getting better
She has given her soul to the devil but the devil gave his soul to God
Minha mulher
Álbum: Jóia-1975
Tudo é mesmo muito grande assim
Porque Deus quer
Pelos olhos
Álbum: Jóia-1975
O Deus que mora na proximidade do haver avencas
Esse Deus das avencas é a luz
Saindo pelos olhos
De minha amiguinha
O Deus que mora na proximidade do haver avencas
Esse Deus dos fetos
Das plantas pequenas é a luz
Saindo pelos olhos
De minha amiguinha linda
De minha amiguinha
Deus e o diabo
Álbum: Muitos carnavais -1977
Você tenha ou não tenha medo
Nego, nega, o carnaval chegou
Mais cedo ou mais tarde acabo
De cabo a rabo com essa transação de pavor
Que Deus abençoou
Nu com a minha música
Álbum: Outras palavras -1981
Nu com a minha música, afora isso somente amor
Vislumbro certas coisas de onde estou
Nu com meu violão, madrugada
Nesse quarto de hotel
Logo mais sai o ônibus pela estrada, embaixo do céu
O estado de São Paulo é bonito
Penso em você e eu
Cheio dessa esperança que Deus deu
Diferentemente
Álbum: Zii e Zie -2009
E, no entanto,
diferentemente de Osama e Condoleezza,
eu não acredito em Deus.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
faxina de ano novo
Drummond tem uma série de mini poemas denominados Poemas de Dezembro. O meu preferido relaciona a poesia à musica para falar do fim do ano.
"Procuro uma alegria
uma mala vazia do final de ano
e eis que tenho na mão
-flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção"
(Carlos Drummond de Andrade, 1968)
Parece que o décimo segundo mês do ano chega ao fim carregado de ganhos, perdas, excessos e faltas. É chegada a hora de descarregar e abrir espaço. Arrumar armários, organizar o que ainda é válido, chacoalhar um pouco o que ainda vamos precisar. Algumas peças precisarão ser lavadas e cuidadas, mas para outras, lixeira!
Precisa-se criar espaço para o novo entrar. Não é possível entulhar, temos que jogar fora muitas coisas.É realmente uma arrumação pois o espaço continuará o mesmo: 365m2 de ano, nenhum metro a mais.
Renovar é preciso. Recriar e guardar apenas o necessário.
Drummond diz em outro poema, que entra ano, sai ano e só renovamos a esperança; essa tem lugar garantido no armário. Pudera, sem ela, não daria nem vontade de ouvir uma música alta e dançar enquanto a gente joga lembranças fora.
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um sujeito genial. Industrializou-se a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e começa tudo outra vez, com outro numero e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"
(Carlos Drummond de Andrade, 1968)
Separei algumas músicas que me remetem à esse clima de faxina que o ano novo nos traz.
"A hora do encontro é também despedida"... (ou seria o contrário?)como diriam Milton e Brant.
E bons encontros em 2010 para todos.
Bom Tempo
Chico Buarque
Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
O pescador me confirmou
Que o passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo Vou que vouLá no alto
O sol quente me leva num salto
Pro lado contrário do asfalto
Pro lado contrário da dor...
Corrida de jangada
Edu Lobo / Capinan
Meu mestre deu a partida
É hora vamos embora
Pros rumos do litoral
Vamos embora
Hora, hora vamos embora
Vamos embora, vamos embora
Vamos embora, vamos embora...
Sou meu mestre, meu proeiro
Sou segundo, sou primeiro
Olha a reta de chegar
Reta de chegar...
A Casa pré fabricada
Los Hermanos
Abre os teus armários, eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo
Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar...
Veleiro
Edu Lobo/Torquato Neto
Ê, ô tá na hora e no tempo
vamos lá que esse vento traz recado de partir
beira de praia não faz mal que se deixe
se o caminho da gente vai pro mar
Eu vou...
vou pra terra distante não tem mar que me espante não tem, não
Anda, vem comigo que é tempo
vem depressa que eu tenho o braço forte e o rumo certo
ah, que o dia está perto e é preciso ir embora ah, vem comigo nesse veleiro
Ê, ô tá na hora e no tempo vamos embora no vento...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Gloomy Sunday
Hoje é segunda-feira. Temos uma dupla sensação;de um lado a tristeza pelo término do descanso e por outro o ânimo de uma semana nova em folha se abrindo.
Já domingo, traz um ar nostálgico. Um saudosismo da sexta e do sábado e ao mesmo tempo uma resignação. Fazer o que? Só nos resta esperar por segunda. Parece que domingo é um dia do qual a gente está sempre reclamando, seja pelo dia anterior que não pode voltar, seja pelo seguinte que faz tudo recomeçar.
Em 1941 Billy Holiday lança a música Gloomy Sunday, feita pelo pianista húngaro Rezső Seress 8 anos antes a partir de um poema de László Jávor, também húngaro. A música fala sobre a morte da pessoa amada e a desistência da vida, indicando o planejamento do suicídio do intérprete.
Nesta época, provavelmente devido à 2ª guerra mundial, milhares de pessoas se suicidaram nos EUA. A imprensa da época levou a população a acreditar que os suicídios teriam sido incitados pela audição da melancólica música e a versão de Holiday foi banida das rádios pela BBC.
A música é belíssima e muito depressiva, e talvez tais rumores tenham suscitado a curiosidade de muitos intérpretes que a regravaram. Listo alguns apenas:
Genesis 1968; Sarah Vaughan 1961; Ray charles 1969; Elvis Costello 1981;
Serge Gainsbourg 1988; Bjork 1999.
Gloomy Sunday
Gloomy Sunday
with shadows I spend it all
my heart and I have decided to end it all
Soon there'll be prayers and candles are lit, I know
let them not weep
let them know, that I'm glad to go
Death is a dream
for in death I'm caressing you
Pesquisei letras relacionadas a este dia da semana tão polêmico e nostálgico. Das mais para as menos conhecidas, das internacionais para as nacionais.
Sunday bloody Sunday- U2
Gloomy Sunday- Billy Holiday
Blue Sunday- The Doors
Everyday is like Sunday- Morrissey
Sunday morning -The Bolshoi
Sunday- The Cranberries
Sunday- Bloc party
A Sunday kind of Love- Etta James
Sunday smile- Beirut
I met him on a Sunday- Laura Nyro
Tell me on a Sunday- Andrew Lloyd Weber
Sunday- Sonic Youth
Sunday- Nick Drake
Never on Sunday- Pink Martini
Feeling kinda Sunday- Frank Sinatra
Come Sunday- Duke Ellington
Church on Sunday- Greenday
Happy happy Sunday- Kusumi Koharu
Um dia de domingo- Tim Maia
No pagode do Vavá- Paulinho da Viola
Domingo 23- Jorge Bem Jor
Manhãs de domingo- Ira
Jovens tardes de domingo- Roberto Carlos
Domingo- Titãs
Domingo- Cazuza
Domingo II- Cazuza
E boa semana.
Já domingo, traz um ar nostálgico. Um saudosismo da sexta e do sábado e ao mesmo tempo uma resignação. Fazer o que? Só nos resta esperar por segunda. Parece que domingo é um dia do qual a gente está sempre reclamando, seja pelo dia anterior que não pode voltar, seja pelo seguinte que faz tudo recomeçar.
Em 1941 Billy Holiday lança a música Gloomy Sunday, feita pelo pianista húngaro Rezső Seress 8 anos antes a partir de um poema de László Jávor, também húngaro. A música fala sobre a morte da pessoa amada e a desistência da vida, indicando o planejamento do suicídio do intérprete.
Nesta época, provavelmente devido à 2ª guerra mundial, milhares de pessoas se suicidaram nos EUA. A imprensa da época levou a população a acreditar que os suicídios teriam sido incitados pela audição da melancólica música e a versão de Holiday foi banida das rádios pela BBC.
A música é belíssima e muito depressiva, e talvez tais rumores tenham suscitado a curiosidade de muitos intérpretes que a regravaram. Listo alguns apenas:
Genesis 1968; Sarah Vaughan 1961; Ray charles 1969; Elvis Costello 1981;
Serge Gainsbourg 1988; Bjork 1999.
Gloomy Sunday
Gloomy Sunday
with shadows I spend it all
my heart and I have decided to end it all
Soon there'll be prayers and candles are lit, I know
let them not weep
let them know, that I'm glad to go
Death is a dream
for in death I'm caressing you
Pesquisei letras relacionadas a este dia da semana tão polêmico e nostálgico. Das mais para as menos conhecidas, das internacionais para as nacionais.
Sunday bloody Sunday- U2
Gloomy Sunday- Billy Holiday
Blue Sunday- The Doors
Everyday is like Sunday- Morrissey
Sunday morning -The Bolshoi
Sunday- The Cranberries
Sunday- Bloc party
A Sunday kind of Love- Etta James
Sunday smile- Beirut
I met him on a Sunday- Laura Nyro
Tell me on a Sunday- Andrew Lloyd Weber
Sunday- Sonic Youth
Sunday- Nick Drake
Never on Sunday- Pink Martini
Feeling kinda Sunday- Frank Sinatra
Come Sunday- Duke Ellington
Church on Sunday- Greenday
Happy happy Sunday- Kusumi Koharu
Um dia de domingo- Tim Maia
No pagode do Vavá- Paulinho da Viola
Domingo 23- Jorge Bem Jor
Manhãs de domingo- Ira
Jovens tardes de domingo- Roberto Carlos
Domingo- Titãs
Domingo- Cazuza
Domingo II- Cazuza
E boa semana.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Cansei de Ser Séria - Vou virar carioca
Existe uma banda de rock-eletrônico que possui o 2º melhor nome de banda na minha opinião: Cansei de Ser Sexy, formada por 4 mulheres e um homem.Tanta gente por aí se esforçando pra ser O Último Biscoito do Pacote e eles simplesmente cansaram!
Hoje vim andando pela rua ápós ter vivenciado uma situação éticamente desagradável e pensei, também cansei. Só que minha banda vai se chamar Cansei de Ser Séria. Morar no Rio é um prazer e um fardo ao mesmo tempo, e eu já não me identifico ao estatuto implícito da cidade faz tempo.
Depois desse episódio de hoje ressuscitei um texto que escrevi. Publico abaixo.
Aproveitando o mote, selecionei algumas músicas cujo tema é o carioca ou as carioquices.
Só a música pra nos aliviar ...
Samba do carioca
Vinícius de Moraes e Carlos Lyra
Vamos, carioca
Sai do teu sono devagar
O dia já vem vindo aí
O sol já vai raiar São Jorge, teu padrinho
Te dê cana pra tomar
Xangô, teu pai, te dê Muitas mulheres para amar
Pé
Silvia Machete
Se eu disser que tô indo embora
Não me deixe ir
Sabote minha partida
Pois eu sei que perdi um pouquinho da minha carioquice
E isso é muito triste
Pois se você disser pra eu te ligar eu vou
Se você marcar encontro eu já tô lá
Se você disser que gosta de mim eu vou acreditar com muito amor
Cariocas
Adriana Calcanhoto
Cariocas são bonitos
Cariocas são bacanas
Cariocas são sacanas
Cariocas são dourados
Cariocas são modernos
Cariocas são espertos
Ela é carioca
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar
Eu vejo na luz dos seus olhos
As noites do Rio ao luar
Carioca
Chico Buarque
Cidade maravilhosa
És minha
O poente na espinha das tuas montanhas
Quase arromba a retina
De quem vê
De noite, meninas
Peitinhos de pitomba
Vendendo por Copacabana
As suas bugigangas
The CariocaCaetano veloso
Say, have you seen the carioca?
It's not a foxtrot or a polka
It has a little bit of new rhythm
A blue rhythm that sighs
Garota sangue bomFernanda Abreu
No compasso do escândalo dançante
Meio samba meio funk
Vem dançando no açúcar
Da presença feminina carioca
Suburbana, carioca Zona Sul
Corpo que é alma
Assim sublime irresistível inspiração
De cidade maravilha cortesã
Sintetizada pelas ondas de um corpo feminino
Que é Prestígio de calibre sensual
Olha o jeitinho dela falar
Olha o jeitinho dela dançar
Olha o jeitinho dela olhar
Olha o jeitinho dela andar
Olha o jeitinho dela paquerar
Garota carioca
Suingue sangue bom
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